Entrevista concedida pelo Prof. Dr. Andrew Herod

Juscelino Eudâmidas BEZERRA

Resumo


O Professor Andrew Herod do Departamento de Geografia da Universidade da Geórgia é uma das principais referências no mundo quando o assunto é Geografia do Trabalho. Desde o seu doutorado em 1992 o entrevistado tem se dedicado no estudo das modificações engendradas pela dinâmica do capitalismo no período da globalização e seus rebatimentos na organização da classe trabalhadora. 

O Prof. Herod adota como linha de estudo, o que ele tem chamado de Labor Geography, o qual considera um emergent field, ou seja, um campo emergente de estudos que busca situar os trabalhadores não apenas como agentes históricos, mas também como agentes geográficos. Para Herod (2003), os trabalhadores são responsáveis por moldar as estruturas espaciais, embora sejam eles constantemente impelidos pela ação do capital.

Segundo Herod (2001), é extremamente necessário pontuar a distinção estabelecida entre a chamada Geography of Labour e do que ele considera Labour Geography. Uma vez que, a primeira analisa o trabalho pela perspectiva do capital, alinhada aos parâmetros da geografia econômica neoclássica. Desse modo, a leitura geográfica quando aborda os trabalhadores, esses são vistos apenas como fatores de produção e como um aspecto de influência nas teorias locacionais.

Na abordagem neoclássica, segundo Herod, não existem pessoas na produção econômica da paisagem, o espaço é caracterizado como um container de vida social e o trabalho, meramente, reduzido a categorias de salário, níveis de qualificação, localização, gênero, grau de sindicalização etc. Nesse tipo de abordagem, o trabalho se caracteriza pela inércia, compreendido como um fator de produção a ser catalogado de forma não muito diferente do que acontece na classificação dos diversos tipos de solo ou condições climáticas encontradas em distintas regiões.

Já a Labour Geography se preocupa em entender a prática espacial da classe trabalhadora e como os trabalhadores, como seres sociais, ajudam a transformar a geografia do capitalismo. A Geografia do trabalho de uma perspectiva crítica coloca a classe trabalhadora no centro de suas preocupações (BEZERRA, 2015).

A entrevista foi concedida quando da sua primeira visita ao Brasil durante a participação no Seminário Internacional do Centro de Estudos do Trabalho, Ambiente e Saúde (Coletivo CETAS) realizado na Universidade Estadual Paulista, Campus de Presidente Prudente. Além do Prof. Herod, agradeço também ao Prof. Antonio Thomaz Júior coordenador do Centro de Estudos de Geografia do Trabalho (CEGET) pelo convite para participar do evento.

 

Prof. Juscelino Eudâmidas Bezerra

Brasília, Junho de 2015.


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Revista GeoUECE
ISSN online: 2315-028X

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