Jogos de intimidade e enselvajamento na classe média francesa: o caso da caminhada pedestre

Romain Jean Marc Pierre Bragard

Resumo


Proponho examinar a prática de caminhadas pedestres na França considerando que ela consiste em um jogo de exploração de diferentes facetas da subjetividade. Três registros dessa experiência turística serão aqui destacados. O primeiro diz respeito à subjetivação pela matéria (Warnier, 1999), articula-se em torno do valor do material técnico utilizado pelos caminhantes. Veremos ali o quanto a nossa cultura alimenta um desejo de « enselvajamento » oriundo de um mito técnico-científico de intimidade com a matéria. O segundo registro da experiência consiste em uma escuta das sensações primárias do corpo envolvido no esforço. O sujeito brinca ali em realizar um mergulho nele mesmo, que ele vive como um remendo de sua identidade. O último registro concerne a vida no seio do coletivo dos caminhantes. Trata-se ali de descrever diferentes experiências afetivas vividas em situação de proximidade física e de analisar sua função sociológica. A questão da intimidade com a matéria, com si mesmo ou com os outros permitirá apreender um exercício recreativo de governo de si cuja compreensão esclarece certos aspectos sociológicos e políticos da transformação contemporânea do vínculo social

Palavras-chave


Turismo, caminhar, urbanidade, sentimento de natureza

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O público e o privado - Revista do PPG em Sociologia da Universidade Estadual do Ceará - UECE