Os confrontos entre Primeiro Comando da Capital e Polícia Militar do Estado de São Paulo em 2012: rotina e crise no controle do crime paulista

David Marques

Resumo


Na segunda metade de 2012, no estado de SP, ocorreu um inusitado incremento nas taxas de homicídios, contrariando a tendência de queda de uma década. Em São Carlos, interior do estado, ao menos 18 pessoas foram mortas com características de execução entre setembro e outubro de 2012. Esta sequência de homicídios, atípica em relação ao histórico da cidade, se iniciou com a execução de um policial militar em horário de folga e se encerrou com uma chacina de 7 dependentes de crack. Tal cenário de violência também foi percebido em outras cidades do estado no mesmo período. O trabalho analisará as possíveis relações entre o homicídio deste PM e a chacina em São Carlos, assim como a relação entre o cenário local e o contexto estadual de violência em 2012. Desenvolveu-se a hipótese em que as relações rotineiras entre polícia militar e Primeiro Comando da Capital, quando atingem limites considerados “injustiças” pelo PCC, colocam em marcha mecanismos de “guerra” entre estes dois atores, caracterizados por repertórios de violência (ataques a “bens” públicos, execução de agentes do estado em horário de folga, execuções e chacinas nas periferias das cidades). Tais mecanismos integram as formas de gestão do conflito nas chamadas "crises da segurança pública” neste estado, ocorridas em 2001, 2006 e 2012. A conclusão é que estas crises tem importante papel de regulação nas relações entre “crime” e polícia, seja no trabalho ostensivo, seja nas operações de grupos de elite da polícia militar.

Palavras-chave


Primeiro Comando da Capital; PCC; Polícia Militar do Estado de São Paulo; violência; Chacina; São Carlos.

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


O público e o privado - Revista do PPG em Sociologia da Universidade Estadual do Ceará - UECE