Espaço Público, requalificação urbana e consumo cultural: o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e seu entorno

Linda Maria de Pontes Gondim

Resumo


 O artigo discute a crise do espaço público na cidade contemporânea, expressa na proliferação de formas espaciais segregadoras, como shopping centers, condomínios fechados e áreas requalificadas. O texto analisa o caso do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, cuja construção teve como um dos principais objetivos a recuperação do espaço público de Fortaleza. Tal projeto apresentou resultados ambivalentes. Se, por um lado, seus espaços abertos são utilizados por vários tipos de pessoas, a frequência aos museus e espetáculos é restrita a pessoas de classe média ou alta, por conta do limitado capital cultural da população de baixa renda. No entorno do CDMAC, predominam usos lucrativos como bares, restaurantes e casas de shows. Mas é conspícua a presença de grupos de jovens do lado de fora desses espaços, promovendo a gratuidade do consumo de música e dança, e interagindo com o comércio informal (e barato) de bebidas e comidas. Tais práticas fogem aos usos previstos, expressando uma sociabilidade no sentido que Simmel atribui ao termo: tratam-se de trocas afetivas endógenas, que ocorrem entre grupos constituídos por pares. Como tal, a sociabilidade permite a convivência de usos e contra-usos, os quais expressam lutas na e pela cidade.

Palavras-chave


requalificação urbana, espaço público, Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

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O público e o privado - Revista do PPG em Sociologia da Universidade Estadual do Ceará - UECE